À mesa com José Quitério: Restaurante Pompílio

No Pompílio não falta a sericá com ameixa de Elvas. O espaço merece uma visitante.

Por José Quitério (www.expresso.pt)

É porquê se fôssemos para Elvas, mas não se chega a entrar na cidade nem a trovar Badajoz à vista. Sai-se da autoestrada (A6) onde a placa indica Elvas meio/Santa Eulália, depois toma-se a N246 assinalada pela tabuleta que aponta Santa Eulália/ Monforte/Portalegre. O trajeto não ultrapassa a meia dúzia de quilómetros. Espera-nos São Vicente (de seu nome completo São Vicente e Ventosa), povoação e freguesia do concelho elvense situada numa planície, com as casas baixas ao longo da estrada, de barras azuis ou amarelas e evidentemente de aprimorada caiação, algumas chaminés características, laranjeiras no decurso dos passeios. Zero tem de notável, pelo menos para embasbacar o forasteiro.

A ver vamos, porquê diz o invisual, se vale a pena o que cá nos trouxe, o restaurante Pompílio, sito na dita estrada batizada porquê Rua de Elvas, 96. De fora, apercebem-se o moca e o longo muro que resguarda o recinto. É por levante que se entra e se dá conta de quão deleitável será refeiçoar ali no tempo adequado. Pesadas portas de vidro dão chegada às salas amplas (cabem 120 dentaduras sentadas), acolhedoras, numa envolvência de pedra e de madeira, as mesas atoalhadas porém com papel em cima, guardanapos também papeleiros (às tantas vieram os de tecido), alfaias a contento. Está-se muito e melhor se estaria com a televisão desligada.

A lista abre com pratos (poucos) em dia fixo: segunda-feira, “feijoada” (€ 8); quarta, “músculos de porco à lavrador” (€ 9); quinta, “cozido à portuguesa” (€ 9); sexta, “bacalhau à Pompílio” (€ 9,50). Seguem-se muro de 10 Sugestões do Dia e depois a chamada Ementa, com 1 Sopa, 8 Peixes e Mariscos e 17 Carnes. Além do que se comeu e contará a seguir, digo, para dar maior teoria do teor, que gostaria de ter provado “bacalhau dourado” (€9,50), “arroz de lebre” (€ 12), “pezinhos de coentrada” (€ 9) e “lombo assado no forno” (€ 9,50).

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Uma vez que não há entradas, pediu-se uma ração de “arroz de coelho rebelde” (€22) para repartir pelos seis convivas. Em caçoula de barro, o carolino da ordem em consistência à beirada do caldoso e tendo absorvido os gostinhos do leporídeo, músculos generosa, conjunto muitíssimo saboroso: uma arrozada abacial que haveria de ser o melhor prato da jornada. O “bacalhau privativo assado” (€ 16,50), na brasa, rodeado de batatas e couve lombarda cozidas, alface, tomate e cenoura filamentada, regado por óleo quente com alho, não pareceu merecer o epíteto de privativo, até porque alguns caudatários não ficam ali muito. Acompanhados por boas batatas fritas aos palitos, os “rins, ovos e miolos” (€ 9), apresentados em pão escavado, constituíram interessante combinação. Muito bom o “ensopado de borrego” (€ 9,80), na traço dos que são feitos sem refogado, com batatas e o pãozinho fatiado à vontade do freguês. Mesmo sem estar muito puxada, aprovadíssima foi a “feijoada de lebre” (€ 12), feijoeiro branco e cenoura a venerarem a personalidade da saltarilha. Primeiro cozida (daí ter na lista “canja de perdiz”, € 3) e depois logo cozinhada, a “perdiz estufada” (€ 17,50), independentemente do problema que já nem sequer se discute da bravura integral ou não, acusou um laivo adocicado por conta da cenoura que dominava o molho. Com o “pombo rebelde tostado” (€ 9,80), de apresentação infeliz (escondido sob batatas fritas), aconteceu o senão de saber muito à banha que entrou na confeção, que nem o percetível vinagre conseguiu varar.

Uma dúzia de doces variados preenche a rubrica. Simples que cá não podia faltar a “sericá com ameixa de Elvas” (€3,50), mas só se comeu a óptimo ameixa (€ 0,75), para perfurar alas para o senhor “fidalgo” (€ 3,75) e um surpreendente pela positiva “manjar de abade” (€ 3,75) em que a encanitante bolacha amocha perante a chila e os ovos moles. Missiva de vinhos sem datas, eminentemente alentejana: 84 tintos e 11 brancos, acrescidos de 5 verdes brancos e 12 tintos doutras regiões. Serviço simpático.

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O restaurante é uma instituição familiar construída a pouco e pouco. O senhor Pompílio, depois de estadia em Colina de Vide, resolveu retornar a esta sua terreno de São Vicente e abriu um moca com tasca em 1975. De logo para cá é o que se vê, em sociedade com os dois filhos varões desde 1991, as mais recentes obras de remodelação em 2006. Sem olvidar, era o que mais faltava, a esposa e mãe, sempre no comando da cozinha.

Não obstante alguns reparos críticos expostos, levante Pompílio merece toda a frequência que tem e a ele é imprescindível voltar.

Restaurante Pompílio

Rua de Elvas, 96

São Vicente

Elvas

Tel. 268 611 133

(fecha às terças-feiras)

Texto escrito nos termos do novo Convénio Ortográfico e publicado na edição da Única de 4 de dezembro de 2010.

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Categoria: viajar

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