À Mesa com José Quitério: Restaurante Tasca do João

Descer a Rua do Lumiar, a partir do final da Parque das Linhas de Torres, a pé uma vez que convém e porque automobilizados só no trajecto ascendente, é encontrar o que sobrou dum conjunto destroçado pela buraco da Avenida Padre Cruz. Uma vez que que uma fatia ensanduichada entre esta e a Rua Alexandre Ferreira, nela se vão aguentando as casas populares, os prédios que além de um considerável prédio assistencial raramente ultrapassam o primeiro caminhar, sobras de arruamentos – Rua e Travessa do Alqueidão, Travessa do Morais, Rua Pena Monteiro – que mantêm a placa mas perderam o sentido, pequenos comércios com um ar pacato de arrabalde ou de vila provinciana, contrastante com o efusão de betão e o trânsito frenético que a Lajedo de Carriche oferece mais em grave. Para uma lebre de feijoada ou um coelho insubmisso, há que encomendar previamente.

Durante décadas existiu nesta rua, creio que no nº 51 e desde 1964, um restaurante (sucessor do primitivo Portas Verdes) chamado Tasca do João, muito afreguesado no universal e com privativo incidência pelos apreciadores de lampreia (no tempo dela) e de caça. Há murado de cinco anos transferiu-se para o nº 122-A, mais ou menos em frente do que sobrevive da citada Pena Monteiro (onde até se pode estacionar). Em Fevereiro deste ano prestes a findar, o fundador, João Vieira, retirou-se, e a Tasca do João tornou-se propriedade de Luís Alves (que gere a sala) e de Vítor Costa (o cozinheiro), dois minhotos de Ponte de Lima. Solo marmoreado, telhado rebaixado branco em gesso cartonado, paredes brancas com encaixilhamentos vários, cadeiras de pinho envernizado sem almofada, mesas com papel à superfície e nos guardanapos guarnecidas de utensílios básicos e copos em condições compõem um envolvente escarolado, simples e suficientemente deleitável para murado de 50 utentes.

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A lista comporta 4 Entradas (incluindo uma sopa e um queijo), 8 pratos de Peixe e 8 de Mesocarpo. Importa manifestar que a dimensão piscícola propõe choquinhos (em três preparações), bacalhau (outras três), pescada e polvo.

Nas carnes, além dos inevitáveis secretos, lombinhos, bife e posta, há rojões (mas cá simplesmente os pedaços carnais com batatas fritas, a constituírem pecados mortais vindos de gente do Minho) e os sempre estimáveis coelho insubmisso e cabrito, todavia tratados da maneira menos adequada (o primeiro frito, o segundo frito ou grelhado). Outro trovar têm os Pratos Especiais, mas é indispensável juntarem-se uns manos a encomendarem previamente.

Neste caso já é provável auferir do coelho insubmisso à caçadora ou em arroz, do cabrito assado no forno, mais perdiz estufada, lebre em feijoada ou em arroz, cozido minhoto e arroz de cabidela de galo. De Janeiro a Abril é logo a romaria da lampreia.

Cumpriram muito muito a sua função entradeira as “pataniscas de bacalhau” (€ 0,75) e o “salpicão com broa de milho” (€ 0,75). Os “choquinhos fritos com coentros e limão” € 8,50) deram a esperada conta de si, assessorados por batatas cozidas.

À “pescada grelhada à minhota” (€ 10), na companhia de batatas idênticas às anteriores e grelos levemente salteados, não se lhe encontrou qualquer símbolo da província.

O “coelho insubmisso inteiro frito” (€ 18) esteve o melhor que pôde de convenção com a técnica utilizada, escoltado por boas batatas fritas. O mesmo com o “cabrito frito” (€ 12), que esta prática transforma numa mesocarpo vulgar, acrescido no complemento por grelos e na preparação por marcante vinha-d’alhos. Na repasto por encomenda teve-se logo aproximação à “perdiz estufada” (€ 16, unidade), de quem cozinhado desiludiu, não salvando a ave da trivialidade, e ao “arroz de lebre inteira” (€ 45), que, à secção o pormenor de alguns ossos mal partidos a apresentarem esquírolas, esteve culinariamente perto da sublimidade.

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A doçaria é curta e trivial. A lista de vinhos, sem datas e de selecção mediana, é pequenota: 14 tintos, 4 verdes brancos, 1 virente tinto e 1 espumante.

Serviço desempenhado por duas jovens, com simpatia.

Está quase a estrear a estação do ciclóstomo, e os actuais proprietários afirmam-se continuadores da tradição renomada da vivenda.

Quanto ao resto, que é capaz de ser o principal, o cliente incauto e solitário não abicha o melhor da sarau, só ao alcance do prevenido, convivial e encomendador.

Tasca do João

Rua do Lumiar, 122-A

Lisboa

21 759 03 11

(fecha aos domingos)

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Categoria: viajar

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