Cascatas e piscinas naturais: Mergulhar no fresco do verão

A viagem começa a setentrião, precisamente em Ponte da Barca, no região de Viana do Forte. Cá, o Poço da Gola é uma pequena represa sintético que recebe duas quedas de chuva que descem da Serra Amarela e que se encontram numa piscina proveniente. Para encontrá-la, dirija-se a Paragem, na freguesia de Lindoso e pergunte pela cascata – em surdina, para não espalhar. Praticamente toda a gente da terreno sabe onde fica e pode até ter a sorte de ter escolta até ao sítio.

Ligeiramente mais inferior na geografia do região, na Serra de Arga, em Montaria, vai encontrar aquilo a que os locais chamam carinhosamente de “museu ao ar livre”. Natureza em estado puro que esconde algumas pérolas paisagísticas só conhecidas por quem já se aventurou pelos trilhos vertiginosos. As 7 Lagoas da Serra de Arga são um dos segredos mais muito guardados da localidade e merecem uma visitante demorada. À chegada, vai encontrar um paraíso proveniente de chuva límpida e calma, embalado pelo som relaxante da manante do rio. Não espera chuva minimamente temperada, antes uma temperatura muito próxima do polar que, ainda assim, é boa solução para refrescar os dias quentes da serra. No término do trajectória recupere energias (e temperatura corporal) num piquenique com produtos da Serra de Arga.

Em direção ao interno do país, chegará a Boticas, a pequena vila conhecida por ser rudimento de Nadir Afonso e de ostentar um museu em seu nome, onde está reunido grande segmento do espólio do artista. Boticas é fria no inverno, impiedosa, até. No verão é o exato oposto e vale-se da paisagem arborizada à volta para restabelecer o fôlego da torreira do sol. Aí mesmo ao lado, muito perto das Termas de Carvalhelhos, por entre trilhos e calçadas, chega-se à Manadeira dos Amores, uma pequena queda de chuva escondida na sombra dos carvalhos, castanheiros e amieiros que a protegem. Labareda-se assim, à semelhança da congénere de Coimbra, pelas juras de paixão que abençoou e cujos votos estão, ainda hoje, cravados nas rochas.

Descendo rumo a Vila Real, é obrigatória a paragem no Parque Originário do Alvão, no concelho de Mondim de Basto, onde, serpenteando pelo meio da vegetação cerrada, encontra pequenas lagoas para submergir. Atentando no som das quedas de chuva – é fácil seguir-lhe o rasto – chega-se finalmente a um conjunto rochoso com aquela que é, diz quem sabe com precisão, uma das cascatas mais longas de Portugal. Nas Fisgas do Ermelo, não se mergulha nem a chuva corre serena, mas vale a pena seguir o curso do rio e percorrer o trilho demarcado para saber e explorar a fauna e flora da região.

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Na Cascata da Frecha da Mizarela, localizada na Serra da Freita, próxima da povoação de Hospedagem da Serra, no concelho de Arouca, é considerada por muitos uma vez que a mais formosa, além de ser a mais subida de Portugal continental, com 75 metros de profundeza. Pode ser apreciada, ao longe, a partir do observatório junto ao lugar da Castanheira. Mas, o mais aliciante repto é descer pela vegetação, usando os trilhos existentes, e tocar as águas frias do rio Caima, que ali fogem ao curso proveniente. Lá em reles, se resolver pôr-se a caminho, encontra pequenas “piocas” de chuva (lagos) onde é verosímil submergir e passar a tarde ao sol. Aproveite o passeio pelo Arouca Geopark para ver de perto um dos fenómenos mais raros no mundo: as famosas “pedras parideiras”.

Por falar em fenómenos, está ainda por desvendar porque é que a Serra da Lousã continua a ser um dos sítios mais desconhecidos no país. Será pelo entrada? Curva, contracurva não será nunca o trajectória ideal, mas muito vistas as coisas e a formosura proveniente que por lá abunda, é preciso encaixar a teoria que defende que o caminho não interessa zero e que o importante é chegar. Podia permanecer por cá esta sugestão, rematando com um simples: vá à Lousã e faça o obséquio de explorar. Para além de encontrar mais de meia dúzia de Aldeias do Xisto, que por si só valem muito a visitante, saindo dor troços habitados, tudo o que envolve a paisagem é passível de arrancar suspiros e provocar apneia. Partindo de Serpins, em direção a Vila Novidade do Ceira, já no limite entre a Lousã e Góis, chega a um dos tesouros mais valiosos da região: o Cabril do Ceira, um desfiladeiro rochoso que acompanha o curso do rio Ceira até leste se encontrar com o Sotam e cuja confluência resulta num lado paradisíaco de tão cristalino, onde se pode ir a banhos. O mais provável é não encontrar ninguém à volta e de nem sequer rede de telemóvel, pelo que convém aviar-se em terreno antes de partir à invenção.

Para chegar a Figueiró dos Vinhos, o caminho é doloroso. A paisagem devastada pelo lume obriga a desviar o olhar e a pensar se não seria mais prudente dar meia volta. Sabemos que não, que leste é um trajectória que tem de ser feito pelo menos uma vez na vida e que a cor torrada que agora pinta grandes áreas de terreno a seu tempo voltará ao virente vibrante que a caracteriza. A chegada à Fraguedo de São Simão é uma lufada de ar fresco, uma prova de que a natureza tem tanto de frágil uma vez que de inabalável. A chuva da ribeira de Alge, a caminho do rio Zêzere é de uma limpidez impressionante, tanto que deixa ver, sem impedimento, tudo o que decora o fundo rio. Entre duas fragas imponentes encontra uma praia fluvial vigiada e muito pouco concorrida (ou quase zero, em bom rigor), onde se juntam praticantes de escalada, rappel e slide que não raras vezes fazem das rochas pequenas prancha de salto para a chuva. Em direção a sul, encontra várias levadas e um observatório de onde pode respeitar a paisagem em profundeza.

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Perto de Arganil, praticamente a meio caminho entre Coimbra e o Parque Originário da Serra da Estrela, mais precisamente na estrada que conduz ao Piódão, onde o indiferente e o calor atingem, respetivamente, mínimos e máximos históricos, a cascata da Fraguedo da Pena pode muito ser o poiso para um dia quente a precisar de ser refrescado. Manifestar que chuva é fria seria uma simpatia desnecessária da nossa segmento, até porque não corresponde de forma nenhuma à verdade. A chuva dói nos ossos, gela a cabeça e, em casos limite, pode parar corações. Revitaliza corpo e mente, dizem os da terreno, provoca choques térmicos complicados, dizemos nós. A chuva desce da rochedo de xisto que terá resultado de um acidente geológico em algum lugar no tempo e culmina numa piscina proveniente de rara formosura por estas bandas, onde aliás, seguindo o curso da nascente, desde a Serra do Açor, encontra outras do género. Nenhuma tão formosa.

Ficou conhecida depois de ter servido de cenário a uma telenovela vernáculo, mas a verdade é que muito poucos se dão ao trabalho de lá ir vê-la de perto. As Cascatas do Rio Mourão, entre as aldeias de Anços e Maceira, em Sintra, têm o virtude de estar pertíssimo da vila e da cidade de Lisboa e talvez seja isso mesmo, essa proximidade muito confortável, que faz com que se pense “até lá ía, mas fica para a próxima”. Para lá chegar há caminhos traçados para o efeito e alguns pares de curiosos que vão e vêm em expedição. O caminho termina nas fragas por onde escorre, ligeiro, um afluente do rio Lizandro e onde se forma uma piscina proveniente de chuva cristalina protegida por vegetação cerradas e conjuntos rochosos onde pode estender a toalha de banho e permanecer.

E porque o Supino Alentejo não se esgota em Portalegre, vale a pena fugir do habitual roteiro turístico e descer até Mora, onde se escondem, discretas, as Azenhas da Seda, um sítio mágico com antigas azenhas, rápidos e cascatas que no verão é meta de romaria para quem gosta de experiências radicais no rio. Famosa por estar pejada de lagostins (não vimos, mas ouvimos expor), esteve ao orfandade durante várias décadas até um parelha de lisboetas perceber que era o cenário perfeito para dar vida a um projeto de aquaturismo. Vai daí, aproveitaram as rochas para montar tendas de alojamento para quem se quiser aventurar na canoagem, na escalada ou até num safari fluvial pelas águas da Ribeira da Seda. O alojamento é individual aos participantes nas atividades e permanece intocado durante os meses menos frios. No entanto, entrar na chuva para refrescar continua a ser livre, mas atenção que a manante não é para brincadeiras.

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Quando um sítio é tão bonito que acaba por ser ressaltado a Monumento Originário, só descansamos quando lhe pomos a vista em cima. Viajar até aos Açores é fácil, difícil é descer a Caldeira Velha, um dos sítios mais idílicos que tivemos o privilégio de saber. Fica na Ribeira Grande, em São Miguel, e está encaixada na serra do Pico do Queimação, onde se encontram uma ribeira alimentada por nascentes de chuva quente termal. Leu muito: chuva quente que, por sua vez, tem pouco ou zero de translúcida, já que tem na sua constituição grandes quantidades de ferro. A lagoa não é favorável a banhos muito demorados, mas reconhecem-se-lhe as propriedades medicinais e formosura arrebatadora. O ponto mais cima da cascata encontra-se sobre 700 metros de altitude, junto ao Vulcão do Queimação.

Porto Moniz, na ilhota da Madeira é um dos clássicos quando o objecto versa sobre piscinas naturais. Não deve a sua origem a uma cascata nem tão pouco à chuva gula. Formadas por lava vulcânica que se estendeu até à costa, permitem que a chuva do mar entre e saia em consonância com as marés. São o grande atrativo da pequena vila de Porto Moniz e oferecem murado de 4 milénio metros quadrados de chuva temperada para adultos e crianças, com espaços mormente dedicados a cada filete etária. Há chapéus-de-sol e espreguiçadeiras para alugar, um bar de verão e estacionamento. A única desvantagem é o facto de ter muita gente. Mas zero que não se resolva com boa vontade.

Texto publicado no Expresso Quotidiano de 14/08/2017

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