É oficial: Já são conhecidos os melhores bolos-rei do país

Reza a mito que terá sido por meio da Confeitaria Pátrio, em Lisboa, que o bolo-rei ganhou contornos de estrela na mesa de Natal. Espargido uma vez que guloseima típico vernáculo, não o é na veras, remontando a sua origem à golpe francesa do século XVII, onde era servido uma vez que sobremesa de homenagem aos três reis magos.

O bolo-rei é um daqueles fenómenos da doçaria portuguesa que permanecerá para sempre na História uma vez que um dos mais e menos apreciados… simultaneamente. Haverá já quem se inquiete com esta asseveração dizendo que adora bolo rei e que o Natal não é Natal sem um réplica à mesa. Mas depois existe a verdade dos factos e essa concluiu, posteriormente zelo referendo entre todos os que nos são próximos, que a percentagem de apreciadores de bolo-rei com menos de 30 anos é muito próxima de zero.

Unanimemente atribui-se a culpa às frutas cristalizadas, um mal necessário à imagem formosa do bolo, mas que podia perfeitamente dispensar aquele pedaço gigantesco de casca de laranja que vem sempre preso à fatia. Talvez por isso tenha eventualmente aparecido o bolo-rainha, que substitui as cristalizadas por frutos secos, mas ainda assim insiste na presença das passas. Uma vez desassociado, inicia-se uma caça ao tesouro: uns porque esgravatam na tamanho até só restar uma espécie de farelo sem vestígios de fruta, outros porque continuam a amar a procura pelo brinde. A fava, essa, já ninguém a quer e à conta disso até há pasteleiros que tenham desistido de a esconder lá dentro, o que torna a experiência mais engraçada – e também frustrante.

No entanto, e contra tudo aquilo que dita a tendência, em profundidade de Chegada não há registo de padarias, confeitarias ou panificadoras em Portugal com dificuldade em escoar stocks. Muito pelo contrário. Há quem tenha uma pastelaria de eleição, quem não se importe de fazer uns quilómetros detrás da tamanho mais fofa e ainda quem afirme com fé saber onde se vende o melhor bolo-rei do país. Nesta material muito haveria a expor, até porque os gostos, uma vez que se sabe, não se discutem, mas porque o bolo-rei é um objecto sério e de interesse vernáculo, nos últimos seis anos realizou-se o Concurso Pátrio de Bolo Rei Tradicional Português, cujos resultados de 2017 divulgamos de seguida.

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– O “Melhor dos Melhores” bolo-rei, distinguido com três medalhas de ouro, encontra-se em Aveiro, na Panificação e Pastelaria Flor de Aveiro (Estrada de S. Bernardo, 93);
– Com uma medalha de ouro, empataram os bolos-rainha da Panificação Trigo Guloseima, em Lisboa (R. Actor Isidoro, 20) e da Panificação e Pastelaria Flor de Aveiro, em Aveiro;

– Não foram atribuídas medalhas de prata, mas em indemnização há seis bronzes: os bolos-rei escangalhados da Confeitaria Rainha, em Arouca (Largo Dr. Ângelo Miranda, 17), e da Briosa do Mondego, em Coimbra (Largo da Portagem, 5); o bolo-rainha da Panificação e Pastelaria Afonso III, em Lisboa (Av. Afonso III, 83), o bolo-rei da Panificação Trigo Guloseima, em Lisboa, o bolo rei da Panificação e Pastelaria Flor de Aveiro e, por termo, o bolo-rei na Pastelaria Guerra, na Venda do Pinho (Rua Inspector Rosa y Alberty, 13).

Para quem não faz questão de ter um bolo rei premiado na mesa de Natal, as Escolas do Turismo de Portugal têm uma campanha solidária a percurso até 6 de janeiro, em que as vendas do auto-intitulado “Melhor Bolo-rei do Mundo” revertem em prol de instituições de cariz social. A iniciativa partiu do gerente Inácio Berlinda, que criou uma receita que se distingue pelo uso de cerveja preta na tamanho. As encomendas podem ser feitas numa das Escolas do Turismo de Portugal, de setentrião a sul do país.

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Categoria: viajar

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